15 de jun de 2008

Educação de qualidade acontece por osmose, por prazer

Com o trabalho educomunicativo, estudantes e educadores crescem na dinâmica cidadã em vista de uma educação melhor que envolve convivência.

Não é fácil sair da educação bancária em direção a uma nova postura de educação baseada na construção coletiva do conhecimento. É difícil deixar as velhas práticas tradicionais de oferecer conhecimento aos alunos da disciplina que o professor domina muito bem, que sabe profundamente o conteúdo e tem prazer de “passar” essas informações.


No entanto, estamos diante de uma nova realidade para a educação brasileira. Mudaram-se os paradigmas da sociedade. Fala-se de novos paradigmas educacionais, ecológicos, culturais. Até a postura da física em relação ao universo mudou. A compreensão do mundo vem ganhando novas interpretações a partir das novas áreas do conhecimento que vem surgindo para apontar desafios e possíveis caminhos para os “novos velhos problemas atuais”.

Uma das saídas para a educação de qualidade é a educomunicação que procura unir comunicação aos processos educacionais numa postura colaborativa, em que os estudantes se apropriam das linguagens midiáticas em benefício próprio, de sua comunidade escolar e entorno social. A educomunicação não é um método. É uma proposta pedagógica mediada pela descentralização do poder, do conhecimento, do ensino-aprendizagem.

O PDE foi lançado. Muito marketing, muitas notícias, muitas divulgações circundam o tema nesse momento histórico em que mais um plano desce das “alturas” em direção à base. A educadora Tania Zagury, em seu livro “Professor Refém” avalia as mudanças na educação dizendo que os professores que “estão na frente de batalha” muitas vezes não são ouvidos e se tornam reféns do processo porque devem entrar na onda.

Como o PDE envolve todos os setores educacionais, mas como está sendo recebido pelas escolas? De que forma os educadores estão sendo preparados para encarar as mudanças em benefício próprio? Digo, “benefício próprio” porque são seres humanos que precisam estar bem consigo mesmo para educar por osmose, ou seja, por convivência.

O IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – está desvendando um Brasil de baixas notas em exames internacionais. Todos são sabedores dessa realidade. Todavia, agora, a sociedade tem um instrumento para saber qual estado, município tem melhor ou pior educação. O que isso gerará em educadores e estudantes? Sentimentos de luta para reverter a situação? Desprezo para com aqueles que não se saíram bem? O IDEB só foi possível porque o estudante foi avaliado.

Mas ninguém está refletindo sobre a auto-estima do educador. De que forma este educador pode se sentir melhor para que a educação aconteça por osmose? O IDEB aumentará se a educação for prazerosa, se o educador estiver feliz, contente e conseguir realizar uma aula “gostosa”. Diante de uma aula assim, com certeza, o estudante será co-autor de sua aprendizagem. E não é um piso salarial de R$ 850,00 que trará essa felicidade.

O “estar-bem” será conseqüência de sua co-responsabilidade com o universo de seus alunos. Se estiver “plugado” em seu entorno, será incapaz de ficar só nos livros e no transferir conhecimentos adquiridos. Por isso, falo da educomunicação com uma possibilidade de resgatar a construção coletiva do conhecimento com a participação dos estudantes. Já vi muitos exemplos de educadores, utilizando sucatas para fazer “mídia”, ou seja, utilizar televisão, o rádio, o computador, a revista, o jornal e a publicidade em sala de aula. Equipar a escola com equipamentos simples ou sofisticados é um processo. Antes de pensar em adquiri-los, é necessário ter uma postura de descentralização do conhecimento, do poder e das decisões.

Recentemente, aconteceu o I Simpósio de Educomunicação do Vale do Paraíba, em São José dos Campos-SP, organizado pela Fundação Hélio Augusto de Souza – Fundhas, que trabalha com projetos educomunicativos desde 2004. No evento, todos ficaram deslumbrados com a ousadia das crianças e adolescentes dessa fundação que participaram do evento, documentando tudo. Manejavam gravadores, câmeras de vídeo e de fotografia com a mesma desenvoltura com que sorriam para os adultos no evento. Isso significa que se apropriaram das tecnologias e se tornaram agentes de seu processo educativo.

Eis o desafio para educadores, estudantes e instituições de ensino, seja formal ou não-formal. Nesse sentido, a educação não-formal realizada com intencionalidade educomunicativa até o momento tem um crescimento maior, pois não está amarrada a currículos inertes que não prioriza os temas transversais. Atividades complementares, realizadas fora do horário de aula, podem ser espaços para a educomunicação se desenvolver. Só depende de nós.

* Antonia Alves é educomunicadora, jornalista, especializanda em EAD, gestora da área de Gestão de Educomunicação e Jornalismo do Portal Educacional Aprendaki – www.aprendaki.com.br.

Este artigo também pode ser lido no Blog.Aprendaki, no Blog Cibercidadania, no Portal Educacional Aprendaki.com.br e no Recanto das Letras

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