4 de ago de 2008

É preciso se comunicar para não se trumbicar, na educação também

Há três expressões que fazem parte do imaginário popular, dos desafios cotidianos e da experiência de inúmeros educadores. Lembremos do grande comunicador Chacrinha que dizia “quem não se comunica, se trumbica”, do provérbio “quem pergunta, vai a Roma” e da expressão: “quem não se atualiza, perde a vez ou fica para trás”. Educadores têm deixado essas frases ecoarem dentro de si para dar um vislumbre significativo à sua experiência educativa seja em ambientes de educação formal ou não-formal.


Mas o que significa “trumbicar”? É evidente que é uma gíria para significar que quem não se comunica, se dá mal ou se frustra. Esse verbo não existe nos dicionários, no entanto se a procura for pelo verbo “trombicar” a expressão está presente como pode-se constatar no Dicionário Houais que diz que a expressão significa: “enganar através de artimanhas burlar e ludrimar” e chama atenção para a expressão formal do regionalismo brasileiro na forma “trumbicar-se”. Já o Michaelis afirma que o termo é o mesmo que “estrepar-se”. Para o Aurélio o verbo vem de tromba e conota o “dar-se mal, entrar pelo cano”.

Agora, levando essa expressão para a educação, podemos nos perguntar: estamos nos comunicando ou nos dando mal? Estamos entrando em sintonia com os educandos, seres plugados na Internet interativa e comunicativa ou estamos podando essa galera que não compreende porque seus educadores não valorizam o saber cibernético deles? Estamos perguntando para ir à Roma ou estamos arraigados em nossa mesmice com medo do novo, do desconhecido, do incerto?

Recentemente aconteceu, em Porto Alegre, o Congresso de Educação Marista em nível nacional para educadores e simultaneamente para estudantes com transmissão ao vivo. No encerramento, os jovens apresentaram o resultado da discussão e sua presença na internet. Uma jovem se dirigiu aos educadores para dizer: “nós temos a tecnologia (internet) e sabemos utilizá-la e vocês têm a sabedoria, então, porque não trabalhamos juntos?”.

É, não resta dúvida. É preciso se questionar até que ponto estamos preparados para enfrentar essa nova geração chamada de Nativa Digit@l. Nativa porque nasceu com a Internet e navega por caminhos desconhecidos sem preconceito e de mente aberta. Porque o inusitado é desafiador e apertar teclas ou clicar aqui e acolá não é consequência da ação dos seus dedos, mas condição necessária para se manter cibercidadão do ciberespaço interligado por redes.

Diante desse contexto o educador precisa se capacitar para não ficar para trás e tornar-se de fato um Imigrante digital – capaz de acolher as manifestações dessa ambiência. Há algum tempo havia um medo sistemático de que as novas tecnologias substituiriam os educadores. Contudo, a Educomunicação, a Arte-Educação e o estudo crítico da comunicação no contexto educacional deram a certeza aos educadores de que eles são mais necessários do que nunca na vida dos estudantes. Os educadores precisam ser mediadores do processo de construção do conhecimento que pipoca por todos os lados mas carece de aprendizagem significativa equacionada pela apropriação das informações e suas formas de produção.

Querendo colaborar com a capacitação dos educadores, o Portal Educacional Aprendaki organizou cursos virtuais capazes de levar o educador a se apropriar de sua realidade concreta confrontando-a com o material de altíssima qualidade elaborado pelos autores que são especialistas em sua área de atuação. O curso de informática educativa, por exemplo, trabalha mapas conceituais, blogs educativos, webgincana e webquest. O curso para orientador educacional aborda o perfil desse profissional diante da realidade midiática trazida por seus alunos. Tutoria virtual mostra que a tutoria também passa pela mediação tecnológica no dia a dia da pesquisa escolar, por exemplo.

Para que se trumbicar se é possível se comunicar? Comum-ação é isso que significa a palavra “comunicação” que pode ser vivida no âmbito educativo para multiplicar o coeficiente comunicativo das relações presenciais e virtuais. Como anda o coeficiente comunicativo em minha vida de educador? E na minha instituição? E com os meus educandos? Essas respostas levarão você, Educador, a mares desconhecidos e sua navegação, com certeza, será exuberante... Quer experimentar?


* Antonia Alves é educomunicadora, jornalista e especialista em Ensino a Distância. Atua como Gestora de Educomunicação & Jornalismo do Portal Educacional Aprendaki – www.aprendaki.com.br contato@aprendaki.com.br.

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