15 de jun de 2008

Colaboração, até onde o estudante pode?!

Colaboração é o carro-chefe da Internet nos dias de hoje. Envolve interatividade, confronto, confiança, ousadia e transmutação. Quando pensamos em Wikipédia, pensamos em mudança, alteração e composição de um conceito ou termo, de uma idéia ou situação, enfim de um texto que não tem dono porque é colaborativo.

Afinal, o que é colaboração? Podemos falar de duas ações: colaborar e ação. Portanto, colaboração está carregada de interação (inter-ação), comunicação (comum-ação) e transformação (ação que transforma). De acordo com o dicionário Michaelis, colaboração é “ato de colaborar cooperação, ajuda trabalho feito pelos colaboradores conjunto dos colaboradores reunião de duas ou mais pessoas que trabalham juntas para produzir ou utilizar uma aplicação multimídia”.


Hoje, a Internet é sinônimo de interação e de colaboração. De transposição do tempo e do espaço na chamada Era do Conhecimento. As informações presentes aí não significam nada, se não tiver um mediador capaz de mediá-las no sentido de apropriação e negociação, conceito utilizado pela Educomunicação – aproximação intencional entre comunicação e educação.

Na Wikipédia é possível ponderar, comentar, acrescentar e modificar a contribuição de alguém. Todos que COLABORAM nesse ambiente acham essa atitude natural, saudável e imprescindível para produzir conhecimento colaborativo.

Mas isso pode acontecer na escola e na sala de aula? O estudante pode “mexer” no texto de seu colega ou do seu professor? Qual a escola que já publicou um texto de um educador – diretor, coordenador ou professor – e deixou aos alunos a possibilidade de modificá-lo ou até mesmo cortá-lo? Será que a revolução do século XXI mediada pela colaboração e interatividade presente na Internet ainda não chegou às escolas?

O que as escolas fazem com a contribuição dos alunos? Aliás, como eles colaboram? O que a escola faz com suas críticas, sugestões e elogios? Bem, os elogios certamente circulam nas mídias da instituição, seja no jornal, na rádio-escola, no circuito interno de televisão, nos murais e até mesmo no site da instituição, elevando o nível de apreciação da mesma. Mas e as críticas – quem fica sabendo de sua existência? Qual seu destino? Aparecem evidenciadas em murais escolares, fóruns presenciais e virtuais, sala de aula, pátio escolar?

Assim, parece que a democracia ainda está engatinhando nas instituições, impedindo que a educomunicação promova ecossistemas comunicativos nos ambientes educativos através do diálogo entre os membros da comunidade e da negociação entre opiniões divergentes. Somente assim, os estudantes serão capazes de se apropriar da história e da cultura para promover sua colaboração utilizando os elementos midiáticos para produzir histórias a partir de sua concepção da realidade a fim de transformá-la.

Se a educação fosse assim, haveria significado e ousadia. Colaboração e envolvimento. Assim, a educomunicação ganharia força na escola intercambiando saberes entre educadores e estudantes. Nesse sentido, os estudantes, profundos conhecedores da WEB, podem mostrar a infinidade de recursos que a Web 2.0 apresenta e os professores, através de uma releitura a cerca dos mesmos, fariam seu uso pedagógico alargando os horizontes da sala de aula, tornando-a bem mais interessante que hoje.

Muita coisa mudou desde os meados dos anos 90 em que chegava o computador e se apresentava como deslumbre ao internauta. Lembro-me do primeiro contato com o computador (um 386), do sistema operacional Windows 3.1, do navegador Netscape, das BBS e do envio de emails. Daí foi um pulo para cair na rede mundial de computadores.

Das redes de relacionamento como o Orkut articulamos a nossa participação em ambientes tridimensionais como o Second Life e jogos interativos que envolvem o internauta desafiando-o à tomada de decisões constantes.

Hoje há uma infinidade de recursos interativos, colaborativos e atrativos desafiando educadores a integrá-los em suas aulas. O desafio está lançado: até ONDE OU QUANDO o estudante pode colaborar em sua aula? Em sua escola?


* Este artigo também pode ser lido no Blog.Aprendaki, no Blog Cibercidadania, no Portal Educacional Aprendaki.com.br e no Recanto das Letras

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