15 de jun de 2008

EAD: sinônimo de interatividade e ‘glocalidade’

Juliane Corrêa fala do surgimento de um discurso planetário que trata da globalização que abrange, hoje, todos os processos que vão da territorialização à transnalidade perpassada pela cultura, tecnologia, informação, comunicação e processos de negociação.

Cita: “discurso mais planetário, que seja ao mesmo tempo local e nacional, impõe que nos apropriemos das novas tecnologias da informação e da comunicação. E isso não significa ter apenas condição de acesso, como também o poder de produzir, selecionar e distribuir informações. O processo de tercermundização impede a utilização desses recursos para diferentes culturas que, assim, não se fazem presentes no cenário internacional”.

Aproprio-me das pesquisas em educomunicação que apontam o surgimento de um novo sujeito, o cibercidadão, ou seja, aquela pessoa que está presente em todos os espaços e experiências sem sair de um determinado espaço físico. Estamos falando de uma experiência glocal (global + local) em que é possível se comunicar e interagir com outros sujeitos em diferentes partes do mundo, em que é possível se apropriar de informações antes inacessíveis sem o uso do deslocamento geográfico. Este mesmo cidadão pode adquirir conhecimentos, conseguir títulos acadêmicos, fazer cursos para implementação de seu currículo com um simples toque no “mouse”, potencializando suas chances profissionais. É possível, mudar de emprego, estando apenas sentado em frente a um computador, seja em casa, numa “lan-house” ou até mesmo no trabalho. A entrevista para um emprego ainda é presencial. No entanto, os processos preparatórios não exigem lugar nem espaço. É uma experiência virtual carregada de significados e interações.

O educomunicador Ismar de Oliveira Soares (NCE/USP) concorda com os pesquisadores norte-americanos Rena Pallof e Keith Prat, autores de “Buldig Learning Communities in Cyberspace” com a tese de que a “comunicação e a necessidade de ‘sentir-se conectado” representam para as pessoas envolvidas nos cursos a distância o objetivo essencial, maior mesmo que os próprios conteúdos disseminados’. Esta experiência é fundamentada na experiência do NCE – Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP a partir do projeto Educom.TV realizado com 2.240 professores da rede pública estadual de educação de São Paulo no sistema de educação a distância em que a experiência de interatividade teve crescimento significativo a cada etapa do processo.

Tadeu P. Arrais fala da globalização como um conceito – e porquê não, digo eu, um processo – “socialmente construído”. Se é construído, está amparado em questões dialógicas, interativas e negociáveis, e portanto, está diretamente ligado à comunicação, à negociação de sentidos em que se agregam experiências de “translocalidade”, “espaço global” e “tempo virtual”.

Tudo aquilo que era só nosso e pessoal, agora é coletivo, real e interativo. Os jovens nesse contexto são considerados a “Geração @”, ou seja, uma geração digital, pois eles se conectam a tempos múltiplos e se move em medidas de tempo relativas. Estamos falando, portanto, de um espaço globalizado e de um tempo virtualizado. Esta geração é uma minoria. Se nada for feito, o abismo da inclusão social/digital aprofundará ainda mais as conseqüências negativas da globalização tecnológica para a maioria desfavorecida.

Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira fala que na globalização o pluralismo cultural é recolocado sob a forma de redes em que o “tempo-espaço é comprimido pelos novos meios de transportes e das novas tecnologias de informação e comunicação, intensificaram-se os fluxos de informação e de pessoas (agora ameaçado), colocando todos em contato com todos, e principalmente com diferentes maneiras de viver, pensar e sentir a vida”.

Isso gera “choques de valores, opiniões, perspectivas e pautas de ação dos indivíduos ou de uma coletividade que só podem ser resolvidos através do diálogo ou da força,” afirma o pesquisador. Ele chama essa prática de “democracia dialógica”. É justamente essa postura dialógica que é necessária na prática de EAD. Somente assim, será possível negociar novas perspectivas para os “novos velhos problemas” – velhos porque são sempre os mesmos itens que aparecem com roupagens diferentes. Para exemplificar: é o NOVO lux (sabonete), é a NOVA cerveja (que agora desce redonda) e assim por diante.

É a NOVA educação a distância que agora acontece com o auxílio dos aparatos tecnológicos , mas continua vinculada à práticas tradicionais, autoritárias e fechadas de um modelo pronto que é apresentado para o estudante executar. A verdadeira EAD pela Internet deve-se obrigatoriamente ser realizada sob o respaldo da dialogicidade, da negociação de sentido dos textos, vídeos e áudios, da interatividade entre os participantes e assim, por diante.

Em suma, a EAD veio para contribuir com o momento histórico de grandes transformações culturais, sociais, econômicas e comunicacionais. Se ela for utilizada para gerar interatividade, vai aproximar continentes, posturas, pessoas, idéias e, principalmente, uma nova maneira de trabalhar e estudar, em que o tempo e o espaço se unem na dinâmica do “glocal”, da cibercidadania e da autonomia dos processos.


Este artigo também pode ser lido no Blog.Aprendaki, no Blog Cibercidadania, no Portal Educacional Aprendaki.com.br e no Recanto das Letras

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