10 de ago de 2016

Protagonismo educomunicativo nas escolas

Alunos em escola de São José dos Campos produzindo
um jornal mural interativo durante festa junina da escola

No último artigo indaguei sobre o espaço reservado ao protagonismo dos alunos nas escolas. Então, qual o espaço que eles têm para se expressarem? Esse espaço se dá por meio de atividades curriculares ou extraclasses? Eles têm autonomia para decidirem sobre o que fazer, mediante o acompanhamento de um educador? Durante o processo de trabalho, é percebida significativa melhora nas relações comunicativas no ambiente escolar?





Muita gente acredita que trabalhar com Educomunicação é colocar os alunos para mexer em aparatos tecnológicos. É mais que isso. Não basta se apropriar das técnicas de como se produz um jornal, um programa de rádio ou de televisão. É preciso garantir que tudo seja realizado de maneira democrática por meio de uma mediação que saiba ouvir e valorizar mais o processo comunicativo que o produto em si.


Ao garantir que as relações de comunicação aflorem, educadores e estudantes passam a construir uma ambiência de respeito, de valorização das diferenças e de incentivo à produção cultural. Nessa perspectiva, o espaço se transforma em um ecossistema comunicativo aberto, dialógico e interdiscursivo, o verdadeiro lócus da Educomunicação.

Isso é possível porque todas as atividades, projetos e programas são pensados com intencionalidade a partir de sete áreas de intervenção que ampliam os ecossistemas comunicativos. De acordo com os estudos do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE-USP), essas áreas potencializam o protagonismo juvenil, as relações interpessoais, o exercício da cidadania e a produção cultural dos atores sociais envolvidos.

Nas próximas semanas vamos compreender as áreas: educação para a comunicação, mediação tecnológica, gestão da comunicação, reflexão epistemológica, expressão comunicativa através das artes, pedagogia da comunicação e produção midiática. Os projetos podem ser inseridos em uma ou mais áreas a exemplo do Programa Mais Educação (MEC), em seu macrocampo “comunicação, uso de mídias e cultura digital e tecnológica”.

O “Mais Educação” é uma iniciativa do Ministério da Educação para que a educação básica desenvolva atividades que expandam o tempo diário na escola e ampliem as oportunidades educativas dos alunos. Suas estratégias se desenvolvem pelo acompanhamento pedagógico com ações em torno das linguagens, da matemática, das ciências da natureza e humanas, do oferecimento de atividades culturais, de cultura digital, artísticas, esportivas e de lazer.


Coluna semanal do site Fato & Notícia - 09/08/2016 - todas as terças-feiras

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Antonia Alves é professora do Curso de Jornalismo da Unemat, sócia fundadora e membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), com mestrado em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. antoniaalves@unemat.br

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