15 de out de 2015

Alto Araguaia: terreno fértil para a Educomunicação

Professora Antônia Alves supervisionando um aluno
 (Fonte: Acervo do Projeto)
A professora Antônia Alves, do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), câmpus de Alto Araguaia, vem desenvolvendo projetos na área de Educomunicação, desde o ingresso na instituição em 2014. Sua atuação é mais focada em pesquisa e extensão, especialmente com alunos do curso e do Ensino Fundamental de escolas da rede municipal e estadual.

Antônia narra que o contato com a Educomunicação ocorreu em 2000, por meio de pesquisas relacionadas à educação e comunicação popular: “Li autores como Paulo Freire, Celestin Freinet e Mario Kaplún. O Freinet trabalhava com a metodologia participativa. Todos os pesquisadores, mesmo com suas peculiaridades, tinham aspectos em comum nesse sentido”.

Durante o mestrado, foi orientada por um dos idealizadores da abordagem no Brasil, o professor Ismar de Oliveira Soares, da Universidade de São Paulo (USP). “Foi nesse momento que compreendi que a Educomunicação é uma vocação para mim”, conta Antônia.


Na ocasião do ingresso à Unemat, uma surpresa positiva: haviam projetos em curso na área. “Fiquei bastante animada. Um deles é a revista eletrônica ‘Se Liga’, desenvolvida primeiramente por professores de Letras desde 2011 e alunos do curso de Jornalismo”, diz a pesquisadora.


Alunos do Ensino Fundamental, provenientes da rede pública, durante produção na revista “Se Liga”
(Fonte: Acervo do Projeto)

“Também já existia em 2012 a agência júnior do curso, chamada ‘Focagen’, com perspectiva de criar redes de blogueiros. Depois, surgiu o Centro de Acesso à Tecnologia para Inclusão Social (Catis), que hoje é coordenado pela professora Rosana Alves. Portanto, é um percurso de quatro anos da Unemat com experiências em Educomunicação. Partindo disso, criei um projeto de pesquisa para gerenciar essas ações, no qual participam também os professores Eveline dos Santos Teixeira Baptistella eUlisflávio Oliveira Evangelista”, comenta. O projeto é financiado por editais tanto da Unemat, quanto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

A “Se Liga” consiste em revista eletrônica, com produção de alunos de escolas do Ensino Fundamental e supervisão dos acadêmicos de Jornalismo. “Nesse projeto, acolhemos estudantes desde o 6º Ano do Ensino Fundamental até o 3º Ano do Ensino Médio e discutimos pautas em reuniões semanais, além de reflexão sobre o que aprenderam. Procuramos dar vez e voz, fazer tudo de forma participativa. Cerca de 30 a 40 professores da Educação Básica participam conosco”, diz Antônia.

A iniciativa tem característica transmidiática, pois circula em forma de revista impressa (e versões digitais), fanpage no Facebook, e blog. “O interessante da ‘Se Liga’ é que ela foi idealizada pelos próprios alunos para colocar em prática o aprendizado em sala de aula, pois não há mercado para produção editorial local – aliás, não existe uma banca de revistas sequer na cidade”, frisa Antônia.
Alunos e professores do projeto no início de 2015
(Fonte: Acervo do Projeto)
Entre as atividades realizadas em 2015, oficinas de blogs para professores, além de oficina sobre jogos eletrônicos para os alunos. “Isso denota o potencial de empoderamento dos alunos em todos os níveis, por meio dessas produções”, pontua a docente.

Por sua vez, a Focagen atende os acadêmicos por meio da produção de conteúdo, como matérias e reportagens, tanto por demandas específicas das disciplinas, quanto por meio da rádio Ecologia como a TV Verde Araguaia, e também por meio da rede de blogueiros, que narram os acontecimentos da cidade, com a participação de 15 alunos do Ensino Básico.

Antônia afirma que os projetos estão sendo divulgados em periódicos e congressos da área. “Em 2013, apresentamos trabalhos no I Seminário de Comunicação Anhembi-Morumbi em São Paulo, sobre essa perspectiva do protagonismo dos alunos. E, no 6º Encontro Brasileiro de Educomunicação em Porto Alegre, explicitamos o processo de construção de pautas. No ano passado, durante o SemiEdu da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizamos o I Colóquio Mato-grossense de Educomunicação”, conclui. (Fonte: revistafapematciencia.org).


Matéria produzida pela jornalista Taís Ueta para a Revista Fapemat Ciência.

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